Franchising

Vai deixar de haver países e cidadãos. Na Europa apenas existem franchisings. Todos os anos iremos ter de alcançar objectivos exigidos e caso isso não aconteça, seremos obrigados a endividar-nos para continuar a pagar portagem, para continuarmos a pertencer ao grupo daqueles que pensava ser a união social, cultural e económica, mas que afinal não é mais do que um império financeiro, um Big Brother insaciável e sem escrúpulos governado pelos países mais poderosos.

No entanto, esquecem-se que os franchises dependem da cultura, dos costumes e das formas de ser de cada um dos países. E também não funciona tudo da mesma forma por muitos cartazes, decorações e uniformes clonados que vejamos em todo o lado. Existe um factor humano imprevisível e que não permite que a economia seja um conjunto de dados matemáticos infalíveis. Não me interessa, nem gosto desta Europa que obriga os governos a esquecer os direitos fundamentais dos povos, se isso for necessário para atingir os objectivos marcados. Era por isso que falava de franchising. Mas também poderia referir-me às relações feudais da Idade Média que tanto custou terminarem. Querem-nos servos dos grandes senhores e senhoras que em lugar de castelos governam países ou dirigem agências de rating, bancos ou grandes aglomerados financeiros.

Um modelo de negócio ou neste caso de franchising pode ser um fracasso em Portugal e no entanto arrasar e ser um sucesso em França, na Alemanha ou nos Estados Unidos. No final, quando o negócio fracassa e são retirados os néons luminosos e as decorações clonadas, apenas ficam os lugares escuros e cheios de pó, cidadãos desempregados e empresários arruinados. Os franchisings não se importam muito com a falência de alguns dos seus franchisados porque encontram sempre outros mercados florescentes onde se poderão instalar.

A Europa não era assim ou pelo menos não foi isso que nos foi dito e prometido.

 

Nota:

Franchising é um modelo de desenvolvimento de negócio em parceria através do qual uma empresa, nacional ou internacional, com um formato de negócio já comprovado, concede a terceiros o direito de explorar os seus produtos e serviços, de usar marca comercial e ainda de implementar os seus métodos de gestão, recebendo contrapartidas financeiras.

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