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« em: Agosto 05, 2009, 10:37:04 » |
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Entre as crenças que algum dia aqui existiram ou ainda existem, conta-se a da costureirinha. Não é difícil, ainda hoje, encontrar pessoas de alguma idade, e não tanta como isso... que ouviram a costureirinha. O que se ouvia, então? Segundo diversos testemunhos, ouvia-se distintamente o som de uma máquina de costura, das antigas, de pedal, assim como o cortar de uma linha e até mesmo, segundo alguns relatos, o som de uma tesoura a ser pousada. Um trabalho de costura, portanto. O som da máquina de costura a trabalhar podia vir de qualquer parte da casa, como a cozinha, o quarto de dormir, a sala de estar, o sotão, ou até mesmo de alpendres, emfim de qualquer divisão da casa. Mas quem era ela? Existem várias versões, uma dessas versões diz se trataria de uma costureira que, em vida, costumava trabalhar ao domingo, não respeitando, portanto, o dia sagrado. Talvez seja esta a versão mais conhecida. Outra versão afirma que a costureirinha não cumprira uma promessa feita a S. Francisco. Pelo não cumprimento dos seus deveres religiosos, a costureirinha fora condenada, após a morte, a errar pelo mundo dos vivos durante algum tempo, para se redimir. Numa outra versão da lenda, uma costureira prometeu fazer um manto para oferecer a Nossa Senhora. Como não o fez, depois de morta foi condenada a levar uma vida errante até cumprir a sua promessa. Segundo outra versão, diz que em tempos que já lá vão, uma costureira fez um vestido de noiva para a filha mas esta morreu antes do casamento. Cheia de tristeza, a senhora terá continuado a costurar por toda a eternidade. Numa outra versão da história, uma costureira tinha um marido alcoólico, sendo obrigada a trabalhar dias a fio, sem parar, para poder sustentar a família. Reza a lenda, que nem mesmo depois de morta terá parado de costurar. Conta-se ainda que a costureira adoeceu gravemente. Com intuito de recuperar a sua saúde, prometeu que doaria a sua máquina de costura caso melhorasse. Porém, assim que recuperou esqueceu-se do prometido, por isso, quando faleceu, como castigo, foi obrigada a continuar a costurar. No fundo, a costureirinha seria uma alma penada a expiar os seus pecados, de acordo com a crença que os pecados do mundo, o desrespeito pelas coisas sagradas e, nomeadamente, o não cumprimento de promessas feitas a Deus ou aos Santos podiam levar à errância, depois da morte. Já não se ouve, agora, a costureirinha? Terminou já o seu fado, expiou o castigo e descansa em paz? A urbanização moderna, a luz eléctrica, e os serões em frente da TV, afastaram-na do nosso convívio? Desapareceu, naturalmente, com a evolução da sociedade, que tinha os seus medo, os seus mitos, as suas crenças e o seu modo de ser e de estar na vida? Ou daí talvez não...
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